Palmeiras 3 x 0 São Paulo: apostas infelizes de Ceni facilitam a estratégia de Baptista

Cueva fez muita falta para o São Paulo, Dudu foi genial ao abrir o placar para o Palmeiras com um golaço do meio-campo e Denis vacilou no lance do terceiro gol. Mas boa parte da derrota tricolor no clássico deste sábado também pode ir para a conta do técnico Rogério Ceni: como ele mesmo admitiu após a partida, seu plano de jogo simplesmente não funcionou. Na verdade, até facilitou a estratégia montada por Eduardo Baptista.

Começando pelos acertos do técnico alviverde: o Palmeiras usou como tática principal uma marcação adiantada, sufocante, fazendo pressão na defesa do São Paulo para evitar que a bola chegasse limpa aos meio-campistas e atacantes. Demorou cerca de 10 minutos para a pressão realmente encaixar, mas depois disso, o time do Morumbi raramente chegou à área de Fernando Prass trocando passes. Mesmo após fazer os gols, o Palmeiras não mudou o modo de marcar – em clara oposição ao São Paulo, que preferiu esperar o rival e pressionar só a partir da intermediária defensiva.

O panorama do jogo: Palmeiras adiantando a marcação e tirando a saída de bola. São Paulo sem ligação entre Pratto e o resto do time

O retorno de Tchê Tchê (que nem parecia estar voltando de lesão, tamanha a intensidade para pressionar, armar e atacar) também ajudou demais o plano de Baptista. O camisa 8 é essencial para que o 4-1-4-1 preferido do treinador funcione, o que mostra também que esquemas táticos, por si só, não são nem bons nem ruins – o que importa é a execução deles pelos jogadores. As boas atuações de Guerra e Thiago Santos também ajudaram a engolir o meio-campo do São Paulo, que praticamente não existiu no jogo.

Já a aposta de Ceni de escalar Thiago Mendes pela direita do setor ofensivo no lugar do lesionado Cueva se mostrou equivocada. A opção até ajudou a segurar a criação do Palmeiras durante a maior parte do primeiro tempo, mas desestruturou ao mesmo tempo o meio-campo e o ataque – obviamente o setor de maior destaque do São Paulo na temporada.

Com Thiago Mendes aberto pela direita, João Schmidt foi deslocado da base do meio-campo para uma função mais adiantada (normalmente executada por Mendes) e Jucilei entrou no time como o volante à frente da zaga. Fazendo seu segundo jogo como titular, Jucilei sofreu demais com a marcação pressão do Palmeiras. Já Schmidt rendeu bem menos do que vinha rendendo como primeiro volante. A tarefa alviverde de atrapalhar a saída de bola tricolor ficou bem mais fácil.

Ao mesmo tempo, no ataque, a movimentação de Thiago Mendes como ponta direita não acrescentou nada ao São Paulo. O setor ofensivo tricolor tem se mostrado tão envolvente e fluido justamente porque as movimentações dos atletas são complementares entre si: Cueva é o armador que sai da ponta para buscar jogo no meio, recua e liga os setores; Luiz Araújo dá sempre a opção da infiltração em velocidade; e Pratto, além de sair da área e ocupar espaços, também serve como pivô.

A movimentação habitual do setor ofensivo do São Paulo: Cueva cai para o meio, Luiz Araújo dá opção de infiltração, Pratto ocupa espaços. Cícero e Thiago Mendes têm chegada a partir do meio. Nada disso aconteceu no clássico

Mas Thiago Mendes teve uma movimentação muito mais restrita do que Cueva teria, raramente saindo da faixa direita do gramado e procurando frequentemente receber lançamentos por trás da defesa quando o jogo pedia que ele recuasse e desse opção aos meio-campistas. Claro que Ceni não esperava que Mendes fizesse o mesmo que Cueva: em uma proposta mais defensiva e reativa do que o seu normal, a aposta era na energia do volante para ligar os setores, mas faltou inteligência na movimentação. Em vez de fluido, o ataque ficou engessado.

Rogério tentou corrigir o problema com a entrada de Wellington Nem (que ainda não pode jogar 90 minutos) no lugar de Jucilei no intervalo, devolvendo João Schmidt e Thiago Mendes para suas posições e funções habituais. Mas Nem não melhorou em nada o jogo ofensivo do São Paulo, porque o elemento de ligação entre meio e ataque continuou faltando – chamou atenção o jogo “preguiçoso” de Cícero, que não fez sua característica movimentação de aparecer de surpresa na área rival.

O treinador tricolor, que mostra um início de carreira bastante interessante, não teve uma noite feliz nas escolhas. Mas tanto São Paulo quanto Palmeiras trilham caminhos promissores. Ceni ainda busca ajustes defensivos (após tantos jogos pressionando os rivais na marcação e sofrendo gols, o time também não soube jogar esperando o Palmeiras). E precisa urgentemente pensar na melhor maneira de como montar o time sem Cueva, que é presença constante em convocações da seleção do Peru.

Já Baptista conseguiu o resultado de que precisava – uma vitória incontestável em um clássico – para aliviar um pouco as desproporcionais cobranças que vem sofrendo nesse início de temporada. Aos poucos, o treinador vai consolidando suas principais opções táticas, conhecendo melhor suas peças e aperfeiçoando a execução de suas ideias no campo. Os trabalhos, que ainda são recém-nascidos, vão evoluindo. Só o que os técnicos de São Paulo e Palmeiras precisam, agora, é de tempo.

Clique aqui e curta a página do blog Entrando no Jogo no Facebook!

Advertisements
Com as etiquetas , , ,

Comente

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: